Wednesday, September 27, 2006

Poesia Matemática

E como este blog é inteiramente dedicado ao amor, sob todas as formas, que tal este?! :o)

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POESIA MATEMáTICA


Às folhas tantas do livro matemático
um Quociente apaixonou-se um dia doidamente por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide, corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida paralela à dela
até que se encontraram no infinito.
"Quem és tu?", indagou ele em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos. Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde a almas irmãs) primos entre si.
E assim se amaram ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando ao sabor do momento e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar constituir um lar,
mais que um lar, um perpendicular.
Convidaram para padrinhos o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas
para o futuro sonhando com uma felicidade integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones muito engraçadinhos.
E foram felizes até aquele dia em que tudo vira afinal monotonia.
Foi então que surgiu O Máximo Divisor Comum
freqüentador de círculos concêntricos, viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela, uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu que com ela não formava mais um todo, uma unidade.
Era o triângulo, tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração, a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser moralidade
como aliás em qualquer sociedade.

Millôr Fernandes

12 Deixaram aqui suas Palavra(s) de Amor:

fernando

Cara amiga. Por acaso já conhecia este poema de Millor Fernandes, mas obrigado por me permitires relê-lo. É, no mínimo, muito interessante. E não há como juntar poesia ao materialismo frio dos números, para podermos levar a vida de modo mais sorridente :)

Juda

Venho porque o vento me empurra, navego, e aqui bebi de água muito boa, volto...

MARTA

Nunca tinha pensado nisso...mas tudo tem uma razão de existir e porque é que a Matemática não se pode apaixonar???
Beijos, abraços
Marta

contradicoes

Ôi amiga, o novo visual do blog é para mim muito mais interessante do que o anterior. A matemática no amor. Bem tal como a primeira não é uma ciência exacta também o amor pode não ser efémero. Um beijinho de amizade do Raul

Estrela do mar

...uma lágrima minha que eu quero que se transforme num sorriso para te desejar uma boa noite...


Besitos

Nilson Barcelli

Este poema é uma verdadeira ode matemática ao amor.
Um beijo.

Desambientado

Se a matemática pode descrever a vida, certamente que também poderá equacionar o amor.
Muito bonito este poema.

Beijinhos.

Betty Branco Martins

Querida amiga Carmem

Estou de volta!!!

Obrigada pela tua visita. Passarei mais tarde para te ler e comentar. Agora estou só nas visitas

Beijinhos grandes e rosas - muitas :))

augustoM

O quociente e a hipotenusa formavam duas linhas paralelas, aquelas que só se encontram no infinito, por isso ficaram reduzidos à raiz quadrada da sua ligação.
Um beijo. Augusto

Alma de Poeta

Uma forma diferente de ver o amor. Não conhecia e gostei muito.
Ainda bem que estas de volta. Também eu me ausentei mas não consegui ficar muito tempo longe.
Tudo de bom para ti. Deixo um beijo com carinho

Lília Visser

Uma pena que até na matemática as equações podem se deteriorar se não forem cuidadas.

Na vida é preciso cuidar das relações, e é isso o que fazemos, não nos esquecendo das poesias de poucos e muitos, que nos mostram o caminho em luz néon e nos avisam dos possíveis problemas.

Continuemos a seguir nosso lema: ser feliz!

Muita felicidade e amor, sempre.

Vonildo

Muita felicidade e
amor,
sempre..!

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